sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Há 5 mil horas atrás

Vi minhas penas começarem a crescer.

Vi como a vida é frágil e a natureza poderosa.

Vi como o mundo é pequeno, lá de cima.

E como o infinito é grande.

Vi rio, lagoas, represas, mares e cachoeiras.

Vi morros, montanhas, serras, picos e cordilheiras.

Vi cidades crescerem e matas desaparecerem.

Vi pastos, plantações, queimadas e mineradoras.

Vi nuvens crescerem e se dissiparem.

Vi brisas e rajadas.

Vi raios e ouvi trovoadas.

Vi chuvas e tempestades.

Vi minha sombra sobre a nuvem.

Vi que ela é contornada por um arco-íris.

Vi o azul de um céu de inverno.

E a poluição abaixo da inversão.

Vi aves de rapina, condores e urubus-rei.

Vi andorinhas copulando em pleno voo.

Nunca mais vi uma harpia, nem um lobo-guará.

Todos eles me viram.

Vi a Mantiqueira, os Andes, os Alpes e a Canastra.

Vi o Pacífico, o Atlântico, o Mediterrâneo e o Índico.

Vi o Vale Sagrado e o do Paraopeba.

Vi todos os lados da Moeda.

Vi (mais de perto do que devia) cercas, postes, fios, árvores e telhados.

Vi helicópteros, balões, ultra-leves e planadores.

Acho que eles também me viram.

Não vi nada dentro das nuvens.

Vi a consagração de amigos e a resignação de outros.

Vi a resiliência de uns e a desistência de outros.

Vi os acertos de uns e os equívocos de outros.

Vi a paixão de todos.

Vi o avanço tecnológico.

Vi que a nossa mentalidade pouco evoluiu.

Vi o rendimento de nossas asas aumentarem.

Vi a segurança delas se esforçando para melhorar.

Vi a morte de perto, mais de uma vez.

Vi reservas abertos e outros que quase abriram.

Vi asas quebradas e outras fechadas.

Vi o chão rapidamente se afastando e igualmente se aproximando.

Vi o Pepê junto à minha asa.

Vi também o Calais e o Paulinho.

Vi amigos morrerem e seus filhos nascerem.

Vi o choro dos que compartilharam.

Vi que as causas dos acidentes continuam as mesmas.

Vi que nós mesmos somos os maiores responsáveis por eles.

Vi imprudência, imperícia e negligência.

Também vi a sorte sorrir.

Vi o romantismo dos novatos.

E a malícia dos veteranos.

Vi o arrojo dos jovens.

E a cautela dos mais experientes.

Vi isso tudo lá de cima.

Onde vejo o que verdadeiramente sou:

Um visionário.

Lucas Machado

3 comentários:

Sandra Botelho disse...

Oi , to de volta...hehehehe! Consegui encontrar nesses bares da vida, sentada num cantinho, palida e triste, a minha inspiração.
Tomava um martine, e fumava um cigarro, nos olhos uma tristeza indolente lhe deixava a face vazia. Um barzinho mais ou menos, onde o cantor alcoolizado de olhos vermelhos cantava, Não se váaaaaa!. Quando ela me viu, do canto dos seus labios vi surgir um quase sorriso sabe? Daqueles que querem ,mais não querem sorrir?...Tirei ela dali, pelas mãos, a levei pra ver o mar, pra voar, pra sentir o gosto doce de um beijo e o sabor ardente dos desejos.
Aquela mulher que antes parecia farrapos voltou a se iluminar, jogou o copo fora, apagou o cigarro e voltou pra mim. Estamos nós duas lá no Meu Aconchego.
Te espero, por lá tá?
Bjos achocolatados

Sandra Botelho disse...

Lindo demais esse texto poema.Bjos no coração

Sandra Botelho disse...

:)